quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Stand up surfe: o esporte híbrido

Stand-up

Mistura de surfe com remo invade praias, lagoas e represas brasileiras. O que parece apenas lazer, porém, exige força e equilíbrio

Praticante do Stand up surfe contempla o pôr do sol e ainda trabalha o corpo todo. Modalidade ganha cada vez mais adeptos no Rio de Janeiro

Hibrido, como traduz o dicionário, é o adjetivo usado para definir um animal que nasceu da mistura de ‘pais’ de espécies diferentes. No reino animal, o burro e a mula são dois exemplos. No mundo do esporte, o stand up surfe (também conhecido pelo nome inglês de stand up paddle surf) poderia representar bem a mistura entre surfe e remo.

Do surfe, a posição – em pé – e a prancha. Do remo, como não poderia deixar de ser, as pás que reagam a água e dão movimento. Mais democrático que seus progenitores, o stand up surfe, na tradição livre, surf em pé e com remos, não tem pré-requisitos tampouco contraindicação. Pode ser praticado por gordos, magros, ativos, sedentários, adultos e crianças.

“Basta uma prancha específica e compatível com o peso e altura para conseguir se equilibrar e remar.

Apesar de fácil, a modalidade não é autodidata. Para equilibrar-se na prancha e remar água adentro, é preciso orientação e acompanhamento, ao menos inicial, de profissionais especializados ou praticantes.

“É importante aprender com instrutores ou pessoas que já conhecem a modalidade. A postura correta é fundamental para que o esporte seja bem executado e dê resultado. O risco de impacto na coluna é alto, mas uma vez incorporadas as regas, o aluno deslancha sozinho.”

As noções básicas podem ser adquiridas em pacotes váriados de ensino. Em média, cinco aulas bem guiadas são suficientes para minimizar os riscos, entender as regras e assumir a técnica por conta própria.

"Praticar no mar exige também conhecimento do código de trânsito marítimo. O risco não é apenas a quem pratica, todo cuidado é pouco para não provocar acidentes com banhistas."

Ganhos de braçada

Em pé e com os remos nas mãos, no mar de marola ou na represa tranquila, é possível acionar todos os músculos do corpo, ao mesmo tempo. O stand up, embora confunda atividade física com lazer, rende além de diversão, abdômen definido, pernas firmes e braços fortes.

“Para quem assiste, a impressão que dá é que ele só aciona os braços. Entretanto, encontrar o equilíbrio e se manter na prancha, exige um trabalho de respiração, força nas pernas e contração do abdômen. Quando comecei a treinar, ao final do dia, sentia o corpo todo dolorido. Não tem um grupo muscular do corpo que escape do esforço”.

Para quem tem acesso fácil as praias ou represas, o esporte assume o posto da musculação ou da corrida. Muitos atletas, interessados na dobradinha entre natureza e condicionamento físico, optam por investir no kit básico da modalidade e abandonar as mensalidades das academias.

Cansado da rotina previsível das salas de musculação, Neto usa o stand up como condicionamento físico para aguentar a (invejável) maratona de ensinar surfe nas praias catarinenses.

"Assim como eu, muitos alunos já estão substituindo as aulas de ginástica tradicionais pelo stand up."

A democracia do esporte esbarra no alto custo do material. Embora o investimento seja de longo prazo, as pranchas específicas para a prática do stand up surfe custam, em média, três mil reais. Os remos são menos agressivos ao bolso, com 800 reais é possível adquirir o par.

“É um esporte caro, mas compensador. As pranchas duram de três a cinco anos. O lado lúdico e social também compensa. Agrega as pessoas, possibilita a interação entre pais e filhos, e mistura exercício com lazer”.

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